Marcela Lagarde e os estudos sobre Feminicídio

Antropóloga mexicana teorizou sobre cinco cativeiros que são impostos a toda mulher desde o momento em que ela nasce

Por Laís Modelli

Marcela Lagarde e o livro Feminismo en mi vida

Marcela Lagarde e o livro Feminismo en mi vida

Maria Marcela Lagarde y de los Ríos é uma das mais influentes feministas latinoamericanas. Mexicana, ela foi responsável por introduzir o termo Feminicídio para descrever a situação de Ciudad Juáres, fronteira norte do México, uma das cidades mais violentas do país, com assassinatos cruéis e desaparecimento de mulheres, principalmente. Mais que cunhar o termo, Lagarde também conseguiu criar uma Comissão Especial de Feminicídio no Congresso Nacional para julgar e conduzir de maneira diferente assassinatos de mulheres, contribuindo para assegurar Direitos Humanos das vítimas e suas famílias.

No Brasil, o termo Feminicídio é tão pouco discutido que nem existe tradução para o português, uma vez que a palavra é do vocabulário em espanhol. O fato é que Lagarde foi a precursora de estudos sobre crimes cometidos contra mulheres por motivos culturais, como é definido o Feminicídio a grosso modo, na América Latina.

Os cativeiros das mulheres por Lagarde 

Um dos livros mais famosos de Lagarde é o O Cativeiro das Mulheres: mãe-esposas, beatas, putas, presas e loucas, em que ela traça cinco perfis femininos pré-estabelecidos pela sociedade, em que é esperado que a mulher esteja presa a alguma instituição social ou lugar público: as mãe-esposas presas à casa e a posição de cuidadoras; as beatas presas à igreja e a figura masculina do padre; as putas presas aos cafetões e às ruas; as loucas presas ao manicômio (no passado do México, era comum manicômios somente de mulheres que não quiseram casar ou virar freiras). Ou seja, a mulher nunca é livre, está sempre em um cativeiro.

Livro Los cativeiros de las mujeres

Livro Los cativeiros de las mujeres

Livros e publicações:

– Los cautiverios de las mujeres. Madresposas, monjas, putas, presas y locas
– Género y feminismo. Desarrollo humano y democracia
– Para mis socias de la vida. Claves feministas para el poderío y la autonomía de las mujeres, los liderazgos entrañables y las negociaciones en el amor
– Identidad de género y derechos humanos
– La multidimensionalidad de la categoría de género y del feminismo
– Insurrección zapatista e identidad genérica: Una visión feminista
– Aculturación feminista

Bio 

Nascida na Cidade do México em 1948, Marcela é uma antropóloga, pesquisadora mexicana pela UNAM (Universidad Nacional Autônoma do México) e feminista militante. Atuou na política, sendo membro do Partido Comunista mexicano na juventude e deputada entre 2003-2006 (governo de Felipe Calderón). Lutou pelo direito das mulheres.

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