Séries com mulher no protagonismo: Pan Am

Sempre procuro dicas na internet de filmes/séries/docs em que a mulher seja a protagonista porque já estou de saco cheio de não me ver nas telas. Ou de ver homens machistas serem endeusados em filmes como O Lobo de Wall Street (aliás, levanta a mão a mulher que sentiu nojo mais de uma vez durante cenas que os empregados do Lobinho ai eram recompensados com prostitutas). Eis que encontrei a temporada completa da série Pan Am no Netflix e já de cara vi que os personagens principais eram mulheres. Procurei críticas sobre a série e, o máximo que encontrei, é que era uma produção que falava da mulher, mas era “bobinha”. Fui assistir e, poxa, bobinho pra quem nunca se vê nas telas ou só se vê na figura da mulher traída, coitada ou vingativa das novelas da Globo.

Pan Am

A série se passa em 1963, ano importante no cenário internacional por abranger a Guerra Fria e a morte do presidente Kenedy, e conta como era trabalhar na Pan Am, maior empresa de aviação comercial dos EUA no século XX e uma das mais importantes na história da aviação.  E aí é que vem o negócio feminista: a história é contada sob o ponto de vista de quatro aeromoças da companhia, e não sob o ponto de vista do capitão, ou dos donos e blablabla homenshomenshomens.

As personagens – sim, a história é romantizada em vários momentos. Mas a história deixa claro que, apesar de ser o emprego mais cobiçado entre as mulheres solteiras e modernas da década de 60, a posição de aeromoça não era fácil em razão das políticas machistas da empresa e, principalmente, dos passageiros homens que achavam que cantar e até tentar sexo à força com as belas aeromoças era permitido. O fato é que essas aeromoças, apesar dos pesares machistas, viajavam o mundo todo por meio do seu trabalho e seu dinheiro numa época que a maioria dos passageiros eram homens ricos, empresários e políticos. A série não passou da 1ª temporada, enfelizmente.

O que mais me chamou atenção: Pan Am mostra que só mulheres bonitas, magras e bancas podiam trabalhar na empresa. Antes de cada voo, elas tinham que subir na balança e eram aconselhadas a emagrecer. Elas não podiam casar nem ter filhos. Aos 32 anos, eram demitidas por estarem “velhas”. Espartilho fazia parte do uniforme, assim como salto alto até em voos que duravam o dia todo. A série pecou em amenizar todos esses problemas de gênero. Poderiam, inclusive, terem retratado como elas deveriam ser “mal vistas” pela sociedade da época. Depois que assisti à série, pensei: que escândalo deveria ser aeromoça naquela época. Aliás, ainda vemos muitos comentários machistas em relação às comissárias de bordo.

A atriz Christina Ricci interpreta uma das aeromoças mais “pra frente” do grupo e várias das suas cenas levantam a questão do machismo ligado a essa classe trabalhadora. Ela era contestadora e não permitia ser tratada como um “pedaço de carne” pelos passageiros mais agressivos. Ricci faz a série valer a pena em vários momentos que a história fica água com açúcar.

Fica a dica de Pan Am para pensarmos sobre protagonismos feminino e a história das mulheres no mercado de trabalho. História essa que muitas vezes ainda se repete…

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