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Veja e Marcela Temer: como a mulher na esfera política é vista como um ser atrofiado e inferior

Bela, recatada, do lar…e quietinha porque mulher boa é mulher calada e presa em casa

 

Depois de anos construindo a imagem pública de Dilma como a mulher louca, perdida, abortiva, histérica e, mais recentemente, a mulher velha, sem energia, cansada, abatida, solitária (essa é a última matéria sobre ela:http://veja.abril.com.br/…/estou-tendo-meus-sonhos-e-direit…) como pano de fundo para falar de assuntos que deveriam ser única e exclusivamente de política, a Veja usa mais uma vez a questão de gênero para defender sua visão: a recatada e santa do lar Marcela, mulher do Temer, aparece aqui para validar sua confiança, leitor, no “quase” novo presidente do país. Até desse jornalismo safado e preguiçoso que a Veja costuma fazer eu esperava melhores argumentos. É por isso que a Câmara dos Deputados está cheia de homenzinhos decidindo o futuro de todo um país com base na sua própria família burguesa e tradicional, que talvez nada represente aS famíliaS do povo desse país tão grande e diverso.

Que fique aqui registrado: é assim que a Veja discute política: vamos trocar a velha doida cansada pela novinha recatada que não sai do lar?

Veja a comparação das chamadas e das fotos dessas 2 matérias comentadas aqui:

O Feminismo e as relações de gênero em ‘Um Senhor Estagiário’

Depois de explorada pela chefe mulher em O Diabo Veste Prada, agora Anne Hathaway é a chefe exótica em ‘Um Senhor Estagiário’ 

Por Lais Modelli

Semanas atras, assisti o trailer de Um Senhor Estagiário, filme de Nancy Meyers. Gostei do enredo, procurei por informações do filme e li as sinopses de divulgação. Todos os textos e criticas informavam ser a trama de um aposentado, vivido por Robert de Niro, que vira estagiário de uma empresa moderninha de tecnologia comandada por Jules, personagem de Anne Hathaway. Olha o cartaz de divulgação:

Um-Senhor-EstagiárioO filme entrou em cartaz no cinema essa semana e fui assistir. Imagina qual foi a minha surpresa quando percebi que, na realidade, a trama mais tem a ver com o feminismo ligado as relações familiares e trabalho do que com a temática da reinserção do idoso no mercado de trabalho? Pois Um Senhor Estagiário é a dica do mês para quem quer ver protagonismo feminino no cinema. Não é a produção feminista mais justa dos últimos tempos, mas é gostosa de assistir e faz pensar como as relações sociais ainda são muito injustas na vida de uma mulher adulta. Não sei se cabe comparações com outros filmes, mas a personagem Jules de Um Senhor Estagiário talvez esteja entre as personagens de Diabo Veste PradaNão Sei Como Ela Consegue.  Mas vamos aos prós e contras do filme no que diz respeito a feminismo e representações de gênero:

Contras 

1.O filme não tem uma personagem negra; as negras que aparecem, são apenas figurantes, não tem nomes.

2.As mulheres em volta de Jules não são representadas com a mesma força que ela. Na verdade, da para perceber que foram divididas em dois núcleos: mulheres que trabalham para Jules e por vezes incorporam o estereotipo da mulher estérica no trabalho; mulheres que invejam ou criticam (ou fazem os 2 juntos) a vida não tradicional de Jules, sendo que a própria mãe dela esta nesse núcleo.

 

3.O filme peca em ficar comparando os homens de hoje, os jovens, com o cavalheiro de tempos antigos do personagem de Robert de Niro. Sabemos que o tal do cavalheirismo mais tem a ver com machismo do que com ser educado com uma mulher. Fazer e receber gentilezas e uma função de qualquer gênero, não só na relação entre homem-mulher.

4.Jules não tem UMA amiga, nada, nenhuma. Talvez a intensão tenha sido a de mostrar que ela teve que abdicar a muita coisa para fazer da sua empresa de tecnologia um lugar bem sucedido dentro de um mercado extremamente machista, mas acho que mais uma vez soou como aquela ideia de que uma mulher bem sucedida só tem inimigas e invejosas a sua volta. Alias, essa é a maior ideia da sociedade machista contra o feminismo desde sempre: mulheres não são amigas, são competitivas entre si.

Prós 

1.Jules quebra o estereotipo que Hollywood tanto faz das personagens ‘mulher-chefe’: ela não tem cabelo curto, não se veste igual a um homem, não é masculinizada, não é megera, não é contra o casamento, não é uma mãe desnaturada que só pensa na carreira e foda-se todos a sua volta. Ou seja, Jules é uma mulher normal que trabalha fora de casa e que tem marido e filha. As controversas que a personagem assume no ambiente de trabalho – como andar de bicicleta pelo escritório e não contratar empregado idoso – mais tem a ver com os estereótipos dos personagens de jovens donos de empresas de tecnologia do que com o gênero do personagem em si.

2.O personagem de Robert de Niro não é indiferente aos problemas de gênero que a chefe Jules enfrenta no dia a dia do mercado de tecnologia. Ele tem uma das falas mais bonitas do filme, alias, quando explica para as mães (invejosas) das coleguinhas da filha de Jules, em uma festinha, porque ela não pode levar a filha.

3.O marido de Jules tem um papel importante e bem justo no filme para discutir a inversão das papeis de gênero tradicionais. Ele é um marido que abdica de sua carreira para cuidar da filha e dar mais tempo a mulher, que acaba de abrir uma empresa. No inicio, ele é tratado com um homem samaritano, o santo da casa, por ter feito esse gesto para apoiar a carreira da mulher, mas logo as mascaras caem e o filme vale a pena.

4.O filme mostra nos pequenos detalhes como a sociedade ainda é muito cruel com mulheres que querem ter uma carreira de sucesso. Apesar de não ser explicito (o que para mim foi um ponto negativo), Jules passa metade do filme pressionada – pelo marido e pelos investidores – a contratar um CEO (HOMEM) para gerir a empresa que ela criou sozinha e que vai muito bem com ela na gerência. Toda mulher que esta inserida no mercado de trabalho sabe que e muito comum ter o trabalho dela desvalorizado e desmerecido quando ela não esta associada a figura de um homem – seja ele chefe ou apenas parceiro de trabalho.

Acho que a apresentação do filme no material de divulgação, que desloca o tema principal da mulher bem sucedida no mercado de trabalho machista, para o tema de um homem idoso que volta a trabalhar, foi estrategia de marketing para fugir das classificações de ‘comedia romântica’ e ‘filme para mulher’, que foi o que acabou acontecendo com o Não Sei Como Ela Consegue, por exemplo…Espero que todas e todos que tenham ido assistir o filme tenham entendido qual a real temática de Um Senhor Estagiário.

 

Ciclovias em SP: o que eu mulher tenho a ver com isso?

O debate sobre ciclovias e afins sob o ponto de vista de mulheres que pedalam e enfrentam uma tripla violência: a de gênero, combinada com os direitos à cidade e ao transporte violados 

Por Laís Modelli

mulher bikeJá parou para pensar como questões sociais e políticas que afetam a todos, pode ser pensada também com um foco de gênero, considerando que as problemáticas sociais não afetam a todos os grupos sociais da mesma maneira? Para falar a verdade, eu comecei a pensar sobre isso depois que ouvi mulheres contando como que o problema da crise hídrica de SP afetou muito mais mulheres pobres e da periferia, que dependem quase que 100% da água dentro e fora de suas casas, pois são elas, na maioria das vezes, pessoas que limpam e cuidam da casa, ou tem profissões ligadas à limpeza, como domésticas, cozinheiras ou lavadeiras. “Somos nós mulheres que estamos parando caminhão de água na rua porque somos as mais afetadas”, me disse uma delas.

Foi pensando nisso que passei a olhar sobre o andar de bicicleta na rua sob o ponto de vista feminista. A minha própria relação com a bike foi ressignificada depois de uma agressão de gênero: quando eu tinha uns 11 anos, estava andando de bicicleta na rua, perto da casa dos meus pais, e, um homem que passou numa outra bicicleta, passou a mão na minha bunda e ainda tentou me derrubar da bike. Lembro que pedalei o mais rápido que pude para alcançá-lo, pra quebrar a cara e a mão dele, mas não consegui e sentei na calçada para chorar…fiquei anos sem andar de bicicleta, com medo do que poderia acontecer. Em 2013, voltei a andar de bike e até comprei uma, mas fui atropelada por um senhor que não parou no Pare e ainda não prestou socorro.

ciclovia_paulista_PauloPinto_FotosPublicasAssistindo o vídeo que a Carta Capital postou sobre o protesto do dia 19/03, na Praça do Ciclista, contra a paralização das obras de ciclovias de São Paulo, paralização pedida pelo Ministério Público (chocada com esse MP), eu vi que tinha muitas mulheres no protesto. Resolvi, então, perguntar para amigas e amigas de amigas que andam de bicicleta em São Paulo como é pedalar numa cidade de trânsito tão violento e machista como a nossa capital.  E ouvi alguns depoimentos muito preocupantes:

O primeiro foi o da amiga Tássia Tieko. Ela usa a bike às vezes para ir ao trabalho e faz questão de pedalar numa versão vermelha, cheia de adesivos e capacete rosa. Mesmo nunca tendo sofrido nenhuma violência no trânsito, ela me falou que evita pedalar em certos lugares que possam não ser seguros para mulheres. “Eu evito lugares muito desertos. Acabo andando a mais só para não passar por certos lugares. A gente já faz isso de uma forma tão natural que, quando a gente para pra reparar, é uma liberdade que nos é tirada“. Pois é, mobilidade e direito a cidade para aqueles que podem, né. A Tássia ainda reclamou de vários trechos de ciclovia que são mal iluminados e compartilhados com pedestres.

Já a amiga Vanessa Cancian me disse: “Sempre penso sobre isso…eu acho muito muito pior mesmo pedalar sendo mulher, andar de bicicleta pelas ruas de São Paulo. Além do trânsito que não respeita os ciclistas, nos coloca a prova para encarar o machismo e a falta de respeito com as mulheres. É comum ouvir cantadas escrotas e pessoas falando coisas do tipo: “ah, quero ir nessa bicicleta”, daí pra baixo. Mas o que me entristece mais é quando taxistas ou outros carros, que além de estarem nessa posição confortável que é sentar a bunda atrás do volante, vociferam coisas do tipo: “vai, com força”, ou “mais rápido” como se tivéssemos a obrigação de pedalar com alta velocidade“.

A ciclista Marcela Marcondes me contou sobre as “cantadas” de motoristas que pode acabar em fechadas. “No geral, os motoristas nao respeitam ninguem de bike, independente do gênero. Agora, por ser mulher o que rola são essas cantadas ridículas que dá vontade de morrer. Tipo, passar em alguma rua e cruzar um grupo de homens. Sempre tem o comentário “ai sim hein”. Ou então já aconteceu, mais de uma vez, de eu estar pedalando e um carro começar a andar do meu lado na mesma velocidade e o motorista ficar me encarando. No começo até xingava, perguntava o que tava olhando e tal, mas aí o cara se “ofende” e além de xingar, tira uma fina ou acelera em cima pra assustar“.

Para a Luiza Peixe, o maior problema do trânsito de SP é ter que dividir a rua com alguns motoqueiros e motoboys que chegam até a perseguir ciclistas mulheres. “É sempre muito incomodo parar no sinal vermelho alinhada com motoboys. Dificilmente eles falam alguma coisa mas, pelo menos comigo, sempre rola aquele olhar faminto e grotesco de civilidade zero. Se há apenas um motoboy no farol com você, ele possivelmente vai te olhar mas desviar se você olhar de volta. Quando estão em maior número vão olhar mais agressivamente, as vezes fazer comentários entre eles, não vão desviar se você os encarar de volta“. Luiza conta que os olhares podem chegar até a perseguição em alguns casos. “Uma vez estava saindo de uma reunião da Liga Feminina de Bike Polo, de bike com outras 6 amigas. Devia ser por volta de umas 19h num sábado e estávamos todas subindo a Av. Angélica em busca de um lugar pra comer. Eis que descendo a rua na maior velocidade vai uma garota gritando alguma coisa seguida por um cara numa moto. Todas nós começamos a nos perguntar o que a garota tinha dito, então uns pedestres disseram que ela ela tinha dito algo como “para de vir atrás de mim!”. Sem nem pensar duas vezes, todas nós mudamos o caminho e seguimos descendo a Angélica tentando alcançar os dois. Alguns quarteirões depois, na altura do cemitério, um semáforo fechou na Angélica, fazendo o motoqueiro parar enquanto a garota e todas nós descemos pela R. Mato Grosso a caminho da Consolação. Ela comentou que o motoqueiro a estava seguindo fazia alguns quilômetros, então dissemos pra ela seguir pela Sabará enquanto o restante de nós ficou parada na bifurcação esperando até ele chegasse. Quando avistamos o motoqueiro se aproximando, começamos a gritar entre nós que a garota tinha ido pela Consolação. Ele virou rumo Consolação, parou no sinal vermelho e levou uma bronca nossa”.

A Gabriela Kato me contou que as cantadas grosseiras de certos motoristas e pedestres a incomodam quando está sob duas rodas. “Uma que foi assediada e, por retrucar, foi até atropelada“. Gabriela costuma participar de passeios de bike em grupos só de mulheres e conta que “Ainda tem caras que não aceitam o fato de um grupo de mulheres andar nas ruas sem a presença de homens no meio. Tipo falarem que falta homem pra gente“.

larissa bijuTambém tiveram depoimentos animadores como o da Larissa Biju Vieira. “posso te dizer, surpreendentemente, que me sinto muito mais segura na bicicleta do que à pé. Trabalhava como ciclista courier, e pedalando das 9 da manhã às 7 da noite, pude vivenciar experiências em que houve mais admiração do que assédio. Os homens parecem respeitar a mulher ciclista pela própria posição em que ela se coloca, capaz de enfrentar o trânsito, livre para escolher seu caminho, aonde vai, à que horas vai, à que horas volta, dona do próprio nariz“. A Larissa já chegou a fazer, na companhia de mais uma amiga, uma cicloviagem e recomenda a experiência das duas rodas para toda mulher. “Adoro citar a Susan Anthony (ativista feminista do século XIX): “Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, e é assim mesmo que me sinto como ciclista mulher: forte e livre“.

Para a Evelyn Araripe, “Quero quebrar um mito: pedalar não é violento. Bicicleta é o único veículo que quanto mais usuários você tem, menos mortes você tem no trânsito. Nos últimos anos, as mortes por acidente de bicicleta em SP caíram drasticamente. No entanto, a cobertura da mídia aumentou, o que dá a impressão de que se ficou mais perigoso e violento pedalar. Isso é uma grande mentira. E isso se conecta com as mulheres na bicicleta. Grandes estudiosos de planejamento urbano e mobilidade por bicicleta identificam como um dos principais indicadores de que as ruas estão mais seguras para pedalar com o aumento de mulheres na bicicleta“. “Eu pedalo há 7 anos em SP. Sou da época em que a bicicletada tinha 200 homens e 4 meninas. Eu não via uma mulher pedalando na rua, Hoje o que eu mais vejo são mulheres de bike. Chego a ver mini-congestionamentos de bike, todos com mulheres. Já vejo mães levando crianças na bicicleta. E isso já diz muito sobre como São Paulo está melhor para se pedalar. Quanto à violência ou assédio, apesar de parecer mais perigoso, ao pedalar as mulheres percebem que é bem melhor e mais tranquilo“.

Quase todas que conversei, que foram cerca de 15 ciclistas, me contaram que, pensando somente na violência de gênero implicada em transposte público, elas se sentem mais seguras na bicicleta do que no ônibus ou metro. O motivo: não precisam passar por pegadas ou passadas de mão e ainda podem fugir com maior facilidade.

Diante de tudo isso, só me vem um pensamento: ter direito a uma cidade sobre duas rodas segura e digna é sim uma pauta feminista e precisamos conversar e sermos ouvidas sobre.

Esse é o vídeo que comentei sobre o protesto em SP contra a paralização na construção das ciclovias e é muito explicativo sobre o que vem acontecendo na capital:

Séries com mulher no protagonismo: Pan Am

Sempre procuro dicas na internet de filmes/séries/docs em que a mulher seja a protagonista porque já estou de saco cheio de não me ver nas telas. Ou de ver homens machistas serem endeusados em filmes como O Lobo de Wall Street (aliás, levanta a mão a mulher que sentiu nojo mais de uma vez durante cenas que os empregados do Lobinho ai eram recompensados com prostitutas). Eis que encontrei a temporada completa da série Pan Am no Netflix e já de cara vi que os personagens principais eram mulheres. Procurei críticas sobre a série e, o máximo que encontrei, é que era uma produção que falava da mulher, mas era “bobinha”. Fui assistir e, poxa, bobinho pra quem nunca se vê nas telas ou só se vê na figura da mulher traída, coitada ou vingativa das novelas da Globo.

Pan Am

A série se passa em 1963, ano importante no cenário internacional por abranger a Guerra Fria e a morte do presidente Kenedy, e conta como era trabalhar na Pan Am, maior empresa de aviação comercial dos EUA no século XX e uma das mais importantes na história da aviação.  E aí é que vem o negócio feminista: a história é contada sob o ponto de vista de quatro aeromoças da companhia, e não sob o ponto de vista do capitão, ou dos donos e blablabla homenshomenshomens.

As personagens – sim, a história é romantizada em vários momentos. Mas a história deixa claro que, apesar de ser o emprego mais cobiçado entre as mulheres solteiras e modernas da década de 60, a posição de aeromoça não era fácil em razão das políticas machistas da empresa e, principalmente, dos passageiros homens que achavam que cantar e até tentar sexo à força com as belas aeromoças era permitido. O fato é que essas aeromoças, apesar dos pesares machistas, viajavam o mundo todo por meio do seu trabalho e seu dinheiro numa época que a maioria dos passageiros eram homens ricos, empresários e políticos. A série não passou da 1ª temporada, enfelizmente.

O que mais me chamou atenção: Pan Am mostra que só mulheres bonitas, magras e bancas podiam trabalhar na empresa. Antes de cada voo, elas tinham que subir na balança e eram aconselhadas a emagrecer. Elas não podiam casar nem ter filhos. Aos 32 anos, eram demitidas por estarem “velhas”. Espartilho fazia parte do uniforme, assim como salto alto até em voos que duravam o dia todo. A série pecou em amenizar todos esses problemas de gênero. Poderiam, inclusive, terem retratado como elas deveriam ser “mal vistas” pela sociedade da época. Depois que assisti à série, pensei: que escândalo deveria ser aeromoça naquela época. Aliás, ainda vemos muitos comentários machistas em relação às comissárias de bordo.

A atriz Christina Ricci interpreta uma das aeromoças mais “pra frente” do grupo e várias das suas cenas levantam a questão do machismo ligado a essa classe trabalhadora. Ela era contestadora e não permitia ser tratada como um “pedaço de carne” pelos passageiros mais agressivos. Ricci faz a série valer a pena em vários momentos que a história fica água com açúcar.

Fica a dica de Pan Am para pensarmos sobre protagonismos feminino e a história das mulheres no mercado de trabalho. História essa que muitas vezes ainda se repete…

Peony Yip, a menina que não se acha boa o bastante

Já pensou que uma das melhores maneiras de empoderar o feminismo é conhecer e apoiar o trabalho de outras mulheres? Principalmente o trabalho daquelas que não se acham boa o bastante para ele?

É por isso que vim divulgar as ilustrações da Peony Yip, uma jovem de Hong Kong que acredita que suas ilustrações não são profissionais e  ela não passa de uma “imperfect amateur”. Agora, se ela é boa? Tire suas próprias conclusões:

Esse foi a primeira ilustração que encontrei dela, e foi amor a primeira vista. Peony tem uma paixão especial por animais:peonytumblr_mcclkurxu31qdv7ezo1_r1_1280

 

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Além dos animais, os rostos femininos, expressão de dor e cultura pop são temas recorrentes na arte da jovem Peony. A menina explicou no We-heart.com que pinta aquilo que ela provavelmente é exposta todos os dias.

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Para conhecer mais o trabalho de Peony Yip, visite o seu tumblr The White Deer. Se usar uma das imagens, não esqueça de colocar os créditos e explicar que é a menina Peony. Isso também feminismo ❤

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Eventos feministas para comparecer neste 8 de março

Quer apoiar a causa feminista ou simplesmente conhecer como funciona essas marchas (que a “mídia” demoniza tanto)? Então eu, que vou comparecer nas marchas de São Paulo para fazer a coleta de dados para o meu projeto de mestrado (conto em um próximo post a temática comunicação + feminismo), separei alguns eventos que acontecerão no dia 8 de março. Peguei o link dos eventos no Facebook.

São Paulo:
Ato 8 de março, Dia internacional de luta da mulher
Marcha dia 8 março - vadiasÉ a primeira marcha do ano promovida em conjunto pelas diversas organizações feministas, como a Marcha das Vadias SP e a Marcha Mundial das Mulheres. Vão ter cartazes, bateria e alegria.

Onde: saída da Av. Paulista, em frente ao teatro Gazeta.
Horas: concentração às 10 h (vá antes para fazer amizades feministas!) e começo do ato às 11 da manhã.

Festival Hardcore Nas Ruas

Blogueiras negrasVão ter oficinas, stencil, palestras e debates feministas, comida (inclusive vegana) e shows. E é tudo gratuito. Está sendo divulgada pelo Blogueiras Negras.

Onde: Praça Ouvidor Pacheco e Silva, na frente do Largo do São Francisco.

Horas: começa às 13.

 

Dica de leitura da autora: reportagens feministas

Que bom! 2015 começou muito feminista para meu trabalho como jornalista independente. Nos dois primeiros meses do ano, publiquei duas reportagens na revista Caros Amigos que, há 2 anos atrás, eu talvez não tivesse maturidade para escrevê-las. Deixo-as, aqui, registradas como dicas de leitura para dois problemas que mulheres convivem: violência na internet; prisões femininas deshumanizadas.

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Histórias femininas do cárcere em São Paulo. p.30

Reportagem publicada na edição desse mês, fevereiro/2015, ainda nas bancas. Passei 5 meses entrevistando mulheres presas e mulheres estrangeiras que estão na condicional. A situação é a seguinte: elas denunciaram falta de médico e remédio nas cadeias, além da sujeira, de refeições com comida estraga e celas superlotadas. O que mais me chamou atenção: os presídios não têm remédios importantes, não dão produtos de limpeza (elas tem que comprá-los para limpas as celas), mas, no kit de higiene pessoal que o Estado fornece a elas, nunca falta gilete. Claro, porque mulher peluda, né gente, não pode nem na cadeia.

Machismo 2.0, p.16

Postagens machistas UFBA

Reportagem publicada na edição de janeiro/2015. Passei cerca de 3 meses em membro de grupos no Facebook sobre temas aleatórios. Sempre que uma mulher sofria uma violenta agressão machista nas discussões, eu chamava o perfil da mulher para conversar, contava que era jornalista e pedia para ela manter sigilo. Descobri casos em que a violência contra a mulher está na vida delas fora e dentro da internet. Às vezes, mto mais violento na internet do que nas ruas. O que mais me chamou atenção: grupos de grandes universidades, principalmente do da Federal da Bahia, são muito violentos contra os membros mulheres.